Martin Scorsese, R.I.P.
Caro Martin Scorsese:Estou chateado contigo. Porquê? Porque é que apostaste nisto? Ouvi dizer que nem sequer
viste o 'Infernal Affairs' original. Pois. Não era um grande filme, mas
sempre era menos redundante do que o que tu fizeste.
Matt Damon?! Mas quem é esse?! Mark Whalberg?! Porquê esses
actores?
Se tivesses visto o filme, sabias que a fotografia do Christopher Doyle lhe conferiu um efeito que tu simplesmente rejeitaste, que é o da abstracção e de «anonimato» de grande metrópole que rima com a perda de identidade dos dois personagens principais (que não tendo como profissão repórteres, são na verdade passengers), por via de uma fotografia azulada, estilizada até ao quase surreal, que dava uma atmosfera que o teu filme ignora, e mal. Porque, por exemplo, aquela cena final no telhado era um ponto da
existência dos dois personagens que não era céu nem terra. No teu
filme, e na estética BD em que investiste, com salpicos de sangue por todo
o lado, essa cena é clara e directa - não me dá nada de profundo, nada que não o meramente visual, que ainda por cima não é nada próximo do melhor que já fizeste (e ainda não há muitos anos nos deste um magnífico 'Bringing out the dead'). Ora isto impediu-me de te levar a sério - bem como as notas
de humor de todos -todos- os personagens.
E quanto àquela infeliz ideia da partilha da mulher-confidente-amante pelos dois lobos? Estás parvo?! Não pensaste que poderia ser ridículo e que anula a interessante ideia do argumento de jogo de gato e rato?
Estou desiludido contigo, Martin Scorsese. Não é que alguma vez tenhas
representado muito para mim, gosto de ti relativamente. Mas este filme...
depois de me causares náuseas com 'The Aviator'... Este filme, decididamente,
NÃO.

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